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Crítica – Amor sem escalas

por teehschwarz em 9/02/2010 às 14:40

Cinema, Destaques

Quem aguarda, devido o título do filme, por uma comédia romântica, vai se surpreender.

O novo filme de Jason Reitman, diretor de ‘Juno’ e ‘Obrigado por Fumar’, segue linhas distintas, sendo um filme dificílimo de classificar. Contando com frieza ao referir-se às relações humanas, com muito carisma vindo do protagonista, e uma série de descontrações e tiradas sarcásticas, ‘Amor sem Escalas’ chegou à ser considerado um “novo clássico” pelos críticos internacionais.

Temos a história de Ryan, um convicto solteirão que trabalha como palestrante em busca de fazer as pessoas livrarem-se do peso sob seus ombros – que ele considera serem suas relações humanas, e ‘Conselheiro de Transições de Carreira’, ou seja, um executivo sem ligações familiares e com repulsa à relações humanas, contratado por empresas desesperadas que precisam mandar pessoas embora, mas não têm coragem de sujar suas mãos. É o cara que vai chegar sem ser anunciado, se sentar numa sala reservada e começar a chamar as pessoas que serão dispensadas, tendo que, com muita persuasão e jogo de cintura, arcar com as reações que, claro, vão do desdém ao desespero, passando por choro e ameaças de morte.
Mas o que torna o filme realmente interessante é a vida do protagonista que, por ano, passa cerca de 43 dias em seu próprio apartamento e 323 em aviões e quartos de hotel, e tem como hobby ‘colecionar milhas’, tendo como única ambição ser a 7ª pessoa a completar 10 milhões de Milhas, coisas que encara com pouca importância, chegando a nos irritar o fato de que Ryan realmente acredita no que diz: relações humanas não passam de peso na mala que impedem a agilidade da vida.

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O rumo do protagonista, interpretado e enriquecido pelo charme e independência de George Clooney, começa a ser alterado quando surgem algumas situações inesperadas: o encontro com a personagem de Vera Farmiga, uma sedutora executiva que, assim como ele, dificilmente está em casa, e com quem inicia-se uma diferente relação; a necessidade de ser acompanhado por Nathalie, a nova funcionária de sua empresa que crê ser muito mais fácil e econômico fazer o trabalho via internet, coisa que pode ruir com o prazer de estar em constante movimento do protagonista; e a proximidade do casamento de sua irmão caçula com um cara que ele nem chegou à conhecer. Através dessas novas situações, sua contemporaneidade recheada de envolvimentos vazios e sem continuidade, velocidade valorizada e relacionamentos humanos sem importância, começa a fazê-lo analisar algumas situações e à sair do estado metódico e impessoal.

A maneira como os relacionamentos, a vida à dois e o futuro são tratados, nos mostra que temos muitas escolhas a fazer e que estamos em constante mutação, além de gerar discussões excepcionais entre os personagens – o embate entre Ryan e Nathalie sobre casamento e comportamento com seus parceiros chega a ser brilhante!

O roteiro é impecável, e ao decorrer da produção, nos faz gerar milhares de conclusões que são, minutos depois, retorcidas: não se é capaz de deduzir oque virá na cena à seguir, somos surpreendidos à cada cena, à cada diálogo e reação das personagens, tendo assim, o filme, uma dinâmica imbatível e um desfecho que acaba por tornar-se uma ofensa pessoal.

Um filme que além das relações e tiradas cômicas, nos fará parar para refletir sobre que rumo nossa vida está tomando e se, esse é realmente o caminho que deverá ser seguido.

Cotação: 9,o

Título original:Up in the Airposter
Gênero:Comédia Dramática
Duração:01 hs 49 min
Ano de lançamento:2009
Estúdio:Paramount Pictures / Cold Spring Pictures / The Montecito Picture Company / Right of Way Films / DW Studios
Direção: Jason Reitman
Roteiro:Sheldon Turner e Jason Reitman, baseado em livro de Walter Kim
Fotografia:Eric Steelberg
Direção de arte:Andrew Max Cahn
Figurino:Danny Glicker
Edição:Dana E. Glauberman

2 Comentários

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