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Crítica – Alice nos pais da Maravilhas

Criado em 1865 pelo inglês Charles Lutwidge Dodgson, conhecido, sob o pseudônimo de Lewis Carroll, “Alice nos pais da Maravilhas’ um dos maiores clássicos da literatura inglesa ganha a versão de um dos diretores mais criativos de Hollywood, Tim Burton .

Com um roteiro que reúne elementos de “Alice no País das Maravilhas’ (como base) e o segundo livro ”Alice do Outro Lado do Espelho“, o longa segue como uma especie de continuação do clássico da Disney . Alice aos 19 anos (bem diferente da menina inocente e questinonadora do desenho animado de 1951 ), vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Confusa, ela foge, e segue um coelho branco, até cair no buraco e parar no local que ela visitara há 13 anos, mas do qual não se lembrava. Tim Burton e a roteirista Linda Woolverton adotam essa estratégia narrativa para ter a liberdade de se desviar livremente do enredo. O que seria mais sensato tratando-se de uma adaptação.

O diretor usa toda criatividade e tecnologia disponível para criar um cenário desnubrante com uma bela direção de arte – que capricha principalmente nos detalhes, tanto nos castelos das Rainhas (Branca e vermelha) quanto no mundo subterrâneo. Pela fotografia de Dariusz Wolski, o filme navega em cores fortes misturado com o velho tom sómbrio que acompanha a filmografia do diretor. Destaque também para o figurino de Colleen Atwood – que muda conforme as transformações, (crescendo e diminuindo de tamanho) de Alice, são quase sempre feitos no  improviso. E claro, os efeitos especiais estão impecáveis, todos os personagens (com exceção o exercito de cartas da Rainha Vermelha que são visivelmente digitais), desde o Coelho Branco, passando pela a Lebre de Março, os irmão gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum até o dragão do final.

Desde que começou a divulgação das primeiras imagens do filme, a impressão que tive, que iria assistir a um “Chapeleiro Louco no pais das Maravilhas”, isso porque a publicidade do longa foi feita em cima de Johnny Depp, interprete do personagem. Porém foi só impressão, apesar de ter ganho um espaço maior que original, é mesmo Alice, Mia Wasikowska (que começou sua carreira no seriado de TV , In Treatment,) a protagonista – que por sua vez entrega uma  boa atuação. Ela parecia tão perdida quanto a personagem no inicio, mas do meio pra frente, vai mostrando segurança. Já o citado Johnny Depp, famoso por suas transformações a cada filme, aqui Depp esconde todo seu brilho atrás do seus olhos grandes (e verdes) e da caracterização do seu personagem, mas mesmo assim faz um bom trabalho. Mas quem brilha mesmo é Helena Bonham Carter, que na pele da Rainha vermelha é a única com a personalidade próxima do original. Com sua cabeça desproporcional ao corpo (motivo de trauma de infãncia) ela sente-se insegura com sua aparência, o que justifica toda rivalidade com sua bela irmã, a Rainha Branca, interpretada por Anne Hathaway (exageradamente delicada). Com tanta gente talentosa, até agora não entendi porque Tim Burton escalou Crispin Glover (que fez uma sátira do Willy Wonka no horroso Deu a Louca em Hollywood) para viver Valete de Copas. O ator até que tentou dar um ar caricato para personagem, mas sem sucesso.

Muitos estão (e com razão) reclamando da qualidade da tecnologia 3D, isso porque diferente da superprodução “Avatar” de James Cameron, o filme foi gravado de forma convencional (2D) e convertido para 3D, fazendo que imagem perca um pouco da qualidade, em algumas cenas. O desfoque do segundo plano é gritante. Porém nada disso tira o brilho do visual do maravilhoso mundo de Tim Burton .

Trailer:

 

Ficha Técnica

Título original:Alice in Wonderland
Gênero:Aventura
Duração:01 hs 48 min
Ano de lançamento:2010
Estúdio:Walt Disney Pictures / Tim Burton Productions / Roth Films / Direção: Tim Burton
Roteiro:Linda Woolverton, baseado em romance de Lewis Carroll
Elenco: Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Christopher Lee, Michael Sheen, Crispin Glover, Anne Hathaway, Matt Lucas, Alan Rickman, Johnny Depp, Eleanor Tomlinson
Produção:Tim Burton, Joe Roth, Jennifer Todd, Suzanne Todd e Richard D. Zanuck
Música:Danny Elfman
Fotografia:Dariusz Wolski
Direção de arte:Tim Browning, Todd Cherniawsky, Andrew L. Jones, Mike Stassi e Christina Ann Wilson
Figurino:Colleen Atwood
Edição:Chris Lebenzon
Efeitos especiais:Sony Pictures Imageworks / Svengali Visual Effects / Plowman Craven & Associates / CafeFX / Matte World Digital

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