Clint Eastwood. A pronuncia deste nome faz qualquer cinéfilo emocionar-se ou, no mínimo, recordar-se de personagens durões de antigos faroestes, policiais e treinadores de boxe, todos incapazes de expor seus sentimentos em atos de ‘carinho’, mas que através de um único olhar, que transpassa nossa alma, conseguem passar exatamente aquilo que sentem e racionalizam perante as situações às quais são expostos.
E é com este tipo de personagem que nos deparamos ao assistirmos à GRAN TORINO, filme no qual o veterano de guerra interpretado por este grande e reconhecido ator e diretor, é mais um homem de poucas palavras; mas muita expressão. Na trama, temos Walt Kowalski, veterano da Guerra da Coréia e trabalhador aposentado da indústria automobilística que não consegue se adaptar, ou sequer entender e aceitar, ao modo como sua vida e vizinhança têm mudado. Mas com a ocorrência de alguns eventos, Walt se vê forçado à defender seus vizinhos, imigrantes do Sudeste Asiático, de uma gangue que semeia medo e violência pelos arredores. No longa, encontramos Clint dividido entre as funções de diretor e ator, coisa que não presenciávamos desde o premiado ‘MENINA DE OURO’, que rendeu à Hilary Swank um OSCAR de melhor atriz.
De qualquer forma, neste filme, a elegância, sensibilidade e dureza com que Eastwood caracteriza seu personagem, notamos o quão qualificado (e com o decorrer dos anos, experiente) o ator sempre foi, recordando-nos da sua excelência já em início de carreira, nos primeiros filmes. Seu personagem conta com a velha, e conhecida, característica psicológica de não ter interesse em criar laços com ninguém, principalmente aqueles ‘inusitados’, mas acaba percebendo que estes não precisam ser efetivamente um fardo desde que haja respeito mútuo, tanto pelo espaço quanto pelas opiniões e cultura de cada um dos envolvidos. Assim, mesmo que no início ocorra de forma imperceptível, passamos a nos envolver com um lado mais dificilmente exposto, um caráter mais humano do protagonista, que se preocupa com as necessidades dos outros e não teme necessariamente o posterior fardo, mas sim a dor que as relações humanas acabam por causar.
Em si, este tema teria um leque de opções e formas de ser abordado, mas o rumo tomado, nos leva à percepção de um fato que ignoraríamos caso fosse colocado de outra forma: através da inicial ‘xenofobia’ do personagem, conseguimos perceber que a globalização e atual fluxo de migrações acabam sendo vistos pelas pessoas de mais idade de uma forma invasiva, visto que estas acabam recebendo estas mudanças de forma brusca, sem tempo para adaptações, sem tempo para quebra de pré-conceitos. De qualquer maneira, sem mais delongas, deixo claro que esta é uma obra indispensável à todos aqueles que durante anos de devoção à sétima arte armazenaram informações sobre os personagens deste, que eternamente, será um ícone, um dos melhores atores de Hollywood.
GRAN TORINO é certamente um encerramento com chave de ouro de uma gloriosa carreira frente às câmeras, excepcional; fora o fato de ser a última chance de vermos aqueles olhos profundamente calmos e os tensos lábios crispados em conjunto, apontando-nos uma arma sem titubear ou questionar, o que causa uma emoção impossível de se esquece.
Trailer:
Ficha Técnica:
Título original:Gran Torino
Duração:01 hs 56 min
Ano de lançamento:2008
Distribuidora:Warner Bros.
Direção: Clint Eastwood
Roteiro:Nick Schenk, baseado em estória de Dave Johannson e Nick Schenk
Elenco: Brian Howe, Clint Eastwood, Cory Hardrict, Dreama Walker, Brian Haley, Geraldine Hughes
Produção:Bill Gerber, Clint Eastwood e Robert Lorenz
Música:Kyle Eastwood e Michael Stevens
Fotografia:Tom Stern
Direção de arte:John Wamke
Figurino:Deborah Hopper
Efeitos especiais:Pacific Title and Art Studio






























Estava demorando para sair uma crítica no site deste maravilhoso filme.
Na verdade está demorando pra sair as críticas. hehe. Mas em breve isso vai mudar, aguarde e confie =)
Clint é muito Badass!!!
entre os melhores Dirigidos por ele