Cinema

Crítica | Capitão América: O Primeiro Vingador

Crítica | Capitão América: O Primeiro Vingador

Por Felipe Bastos

Sinopse

 2ª Guerra Mundial. Steve Rogers (Chris Evans) é um jovem que aceitou ser  voluntário em uma série de experiências que visam criar o supersoldado  americano. Os militares conseguem transformá-lo em uma arma humana,  mas logo percebem que o supersoldado é valioso demais para pôr em risco na  luta contra os nazistas. Desta forma, Rogers é usado como uma celebridade do  exército, marcando presença em paradas realizadas pela Europa no intuito de  levantar a estima dos combatentes. Para tanto passa a usar uma vestimenta  com as cores da bandeira dos Estados Unidos, azul, branca e vermelha. Só que  um plano nazista faz com que Rogers entre em ação e assuma a alcunha de  Capitão América, usando seus dons para combatê-los em plenas trincheiras da  guerra.

Crítica

Hollywood tem o poder de transformar péssimas histórias em grandes sucessos e grandes projetos em desastres colossais. Tal fato ocorre principalmente quando o mercado da sétima arte focaliza-se em refilmagens e adaptações, algo muito frequente nos últimos anos. Assim, não é infundada a tensão que instalou-se nos fãs de HQ’s e cinéfilos no primeiro semestre desse ano, quando as grandes telas mostraram ao mundo a origem dos mutantes oriundos das mentes de Stan Lee Jack Kirby, os X-Men. Após revelar-se uma grande (e bela) surpresa, o filmeX-Men : Primeira Classe só fez aumentar as expectativas perante as promessas futuras envolvendo a Marvel e suas personagens, motivo chave da inquietação de todos que aguardavam o lançamento de Capitão América: O Primeiro Vingador, que surge provando que um super-herói enfadonho e extremamente nacionalista pode ser adorado.

Logo no início do filme nos deparamos com a queda de um estranho objeto no planeta Terra e, após revelado um dos conhecidos itens em seu interior, migramos aos anos da segunda guerra mundial onde somos apresentados à Steve Rogers, um frágil jovem que não consegue ser aceito no exército devido suas restrições físicas. Determinado, e com um passado marcado pela guerra, este continua alistando-se tendo por única ambição servir seu país. É quando surge em cena seu benfeitor, Dr. Erskine, um cientista alemão que deixou seu país por questões ideológicas e procura auxiliar os ‘aliados’ no combate ao nazismo e suas crias, como o sub partido Hidra, com a criação de um super-soldado através de uma fórmula que intensificará o físico e moral do escolhido. Assim, inteligente, valente e ‘um bom homem’, Steve Rogers é escolhido pelo cientista e acaba tornando-se o Capitão América.

Chris Evans, como Steve Rogers/Capitão América, encontra-se em ambiente comum e corre o risco de ficar destinado à papéis que necessitem de heróis e/ou paranormais (visto que ficou conhecido através de sua personagem nos dois live-action de O Quarteto Fantástico e representou, posteriormente, uma espécie de ‘mutante’ no intrigante Heróis) mas consegue convencer como alguém sem maldade e temores, sendo este seu melhor trabalho. Em contrapartida, o excelente Hugo Weaving desaponta ao encarnar o Caveira Vermelha de maneira cansativa, talvez pelo fato de o vilão soar cômico e desorientado durante toda a projeção. Vale ressaltar aqui, que os artifícios de manipulação de imagem utilizados nas duas personagens são incríveis: tanto a fragilização de Evans na primeira parte da trama como a maquiagem de David White, acompanhada da utilização de CGI, para a concepção da feição desfigurada do Caveira são impecáveis e assustadoramente convincentes.
Voltando ao campo de atuações, se Weaving surpreende de maneira negativa, os outros atores geram reação contrária com personagens bem constituídas, sendo prazeroso assistir Tommy Lee Jones como um general severo e muitas vezes cômico; Hayley Atwell provendo à agente da S.H.I.E.L.D., Peggy Carter, força e comprometimento condizentes ao que esperávamos; e Dominic Cooper com as pequenas características comuns (e impagáveis) entre o mecânico Howard Stark e o adorado Tony Stark de Homem de Ferro, obviamente seu filho. Lembrando que, esse elo entre os filmes, claramente proposital, foi realizado com o esforço dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely em consultas aos demais projetos do estúdio justamente para que haja uma espécie de sequência cronológica entre os filmes perceptível mesmo àqueles que não acompanham os comic-books.

Tecnicamente a obra é constituída por contrastes, característica presente no roteiro, montagem e fotografia do filme: ao mesmo tempo em que somos apresentados à bravura e simpatia de Rogers, nos deparamos com a malícia e ganância de Johann Schmidt (Weaving), um general nazista; após a personagem de Evans ser controlada pelo estado alienando a população sobre suas tropas em guerra com música e dança, um corte brusco leva-nos a falha de tal argumento no campo de batalha, com a tristeza e cansaço dos militares. É um ciclo vicioso, das cores ao tom cinzento, da humildade à arrogância, dos aliados aos nazistas; que gera um ritmo eficaz, e esteticamente impecável, porém cansativo na produção.
Outra característica presente, mas extremamente agradável, é a constante ‘homenagem’ do filme tanto ao visual clássico das HQ’s quanto à construção dos filmes da década de 80, gerando uma alegria saudosista no espectador. Desde os efeitos sonoros, às sequências de ação, passando inclusive pela apresentação e movimentação do elenco, tudo faz menção a um estilo cinematográfico anterior, clara ou cuidadosamente – como a clássica cena do tiroteio após a transformação de Rogers e a ridícula determinação nas bombas direcionadas às principais capitais do mundo, respectivamente.

Talvez pelo fato de vir com a carga de 70 anos desde a criação da personagem principal, por soar como uma grande homenagem ou ainda por tratar-se de uma trama em meio à conhecida segunda guerra mundial, o filme causa simpatia do espectador desde os minutos iniciais, e submete-nos a um reconhecimento divertido e até carinhoso durante toda a sua projeção. Há falhas? É claro; mas perdoáveis, e que perdem-se em meio a todas as qualidades de uma prequel alucinante sobre a minoria corajosa, transformada com classe por Joe Johnston não em um ‘filme de herói’, mas um antecessor eficiente daquilo que esperamos encontrar no aguardado Os Vingadores.

Pôster

Ficha técnica

  Gênero: Aventura
  Direção: Joe Johnston
  Roteiro: Christopher Markus, Jack Kirby, Joe Simon, Stephen McFeely
  Produção: Amir Madani, Kevin Feige
  Fotografia: Shelly Johnson
  Trilha Sonora: Alan Silvestri
  Duração: 124 min.
  Ano: 2011
  País: Estados Unidos
  Cor: Colorido
  Estreia: 29/07/2011 (Brasil)
  Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
  Estúdio:  Marvel Studios
  Classificação: 12 anos

Avaliação

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