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Crítica – As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne

por em 18/01/2012 às 0:49

Cinema, Críticas, Destaques

Os geniais Steven Spielberg e Peter Jackson raramente desapontam quando propõe-se a utilizar novas tecnologias, principalmente quando essas são aliadas ao imaginativo e dão espaço ao exercício do fantasioso. Da recente união destes dois astros surgiu um divertido longa-metragem baseado em uma clássica HQ que entreteve gerações: a dupla é responsável pela direção e produção, respectivamente, de “As Aventuras de Tintim”, longa que deu vida, novamente, à algumas das personagens criadas em 1929 por George Prosper Remi, vulgo Hergé.

Na trama apresentada, Tintim, o curioso e inteligente repórter que nos é familiar devido a série animada de 1991, com 39 episódios, adquire em um Mercado de Pulgas uma réplica do galeão Licorne e, mesmo quando avisado do quão procurado e desejado é o artefato, não abre mão do item adquirido envolvendo-se, por isso, em uma aventura repleta de ação e mistérios. Sempre acompanhado de seu fiel companheiro, o cãozinho Milu; contando com a “ajuda” dos hilários agentes gêmeos Dupond e Dupont; e recebendo auxílio do beberrão Capitão Haddock, o aspirante a detetive, após compreender a importância de seu Licorne para a descoberta do local de um grande tesouro perdido, faz o crível e incrível para fazer com que o ouro não chegue às mãos erradas…tarefa que será muito trabalhosa.

As histórias em quadrinhos do diferente repórter foram publicadas em mais de 50 línguas e o roteiro desta cinematográfica adaptação é extremamente fiel a elas. Além disso, utilizando a tecnologia da “motion capture” ou “performance capture” – onde os atores são primeiro filmados para depois serem “animados” – o filme conseguiu obter efeitos indispensáveis para manter a qualidade estética da HQ para as grandes telas: além de permitir a reprodução do traço característico de Hergé, foi possível a realização de inúmeras sequências de ação que seriam inimagináveis em um live-action e que valorizaram muito a produção principalmente no efeito gerado pela terceira dimensão. Intensificando ainda mais a transferência da ficção à um patamar mais próximo da realidade do espectador, todos os planos de fundo da trama – sejam eles a imensidão azul ou as dunas do deserto – contam com extrema realidade, sendo imensamente divertido quando elipses mesclam tal cenário com ilusões.
Além dessa realidade do cenário, contamos também com as expressões, faciais e corporais, que transmitem muitas das características psicológicas e expõe o lado mais humano das personagens, algo tão perfeito que permite algumas “brincadeiras” no longa, como a presença no início do longa de Hergé, como o pintor a retratar o jovem Tintim, e do próprio Spielberg como batedor de carteiras e milionário da fictícia Bagghar.

Fora toda a competência visual, outra característica que chama atenção é a trilha sonora do oscarizado John Williams que assemelha-se muito a da série animada ao conduzir perfeitamente desde os momentos de emoção das personagens até os ativos “plano-sequência”, sem um mínimo deslize.
As personagens do filme, caracterizadas excepcionalmente bem, ainda contam com vozes inigualáveis de grandes astros. Andy Serkis, sempre esplêndido quando na pele de qualquer ser animado digitalmente – como Gollum – supera-se como Capitão Haddock, um atrapalhado e orgulhoso alcoólatra que rende momentos impagáveis com suas confusões e diálogos; enquanto seu inimigo pessoal, o brilhante professor Sakharine, permitiu que Daniel Craig fugisse à imagem de herói concebida por James Bond e demonstrasse seu potencial para seguir no lado oposto da lei.

Com tantas qualidades, e quase nenhum defeito, não é surpreendente o fato de que Spielberg e Jackson já tenham divulgado a certeza de uma continuação para a trama, desta vez dirigida por Peter, e estejam planejando, ainda, sua terceira parte. Afinal, é quase impossível não deliciar-se com Tintim, seus aliados e inimigos, todos passíveis à serem adorados neste filme que funde saudosismo, diversão e aventura, tudo em perfeito equilíbrio.

Trailer

Ficha Técnica

Título original:The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn
Gênero:Animação
Duração:1 hr 47 min
Ano de lançamento: 2012
Estúdio: Amblin Entertainment | WingNut Films | The Kennedy/Marshall Company
Distribuidora: Paramount Pictures (EUA) |Sony Pictures Brasil
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, baseados nos quadrinhos de Hergé
Vozes de: Jamie Bell, Simon Pegg, Andy Serkis, Nick Frost, Mackenzie Crook, Daniel Craig, Toby Jones, Gad Elmaleh.
Produção: Peter Jackson, Steven Spielberg e Kathleen Kennedy
Música: John Williams
Direção de arte: Andrew L. Jones e Jeff Wisniewski
Figurino: Lesley Burkes-Harding
Edição: Michael Kahn
Efeitos especiais:Weta Digital

1 Comentário

  1. ANDRE disse:

    eu achei meio cansado mais isso foi oq eu achei

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