Cinema

Crítica | O Besouro Verde

Sinopse

A trama nos apresenta um playboy de aproximadamente 30 anos dedicado à diversão, Britt Reid, que perdeu a mãe quando ainda criança e nunca obteve a atenção de seu pai, o rico dono de um conhecido jornal de sua cidade. Um dia porém, seu pai morre misteriosamente e o irresponsável Britt precisa assumir os negócios da família, ficando a frente do grande e respeitado veículo de imprensa. Milionário e entediado, após descobrir os talentos em artes marciais e manutenções revolucionárias de carros de um dos ex-funcionários de seu pai, Reid resolve criar um personagem que, acompanhado de seu ajudante, irá resolver os crimes em sua cidade. Eis que surge então, o Besouro Verde

Crítica

Nos últimos anos nos deparamos com um crescente número de readaptações que resultam a um retorno de antigas produções às telas de cinema, um movimento inegável e assustador. Mas à que deve-se o motivo dessa busca pela renovação de grandes sucessos, uma tentativa de recriação para as novas gerações ou uma homenagem aos originais com a premissa da utilização dos novos artifícios da tecnologia? Seja qual for a resposta, é clara a imersão de Hollywood em uma era de remakes.

Dessa forma, vale ressaltar outro movimento que encontra-se à muito no controle da indústria, o das produções embasadas em super-heróis e seus aspirantes, normalmente adaptadas de HQ’s e videogames. Justiceiros mascarados e detentores de poderes sobrenaturais e diferenciados são um campo explorado inesgotavelmente pelos roteiristas cinematográficos, o que rende um número extraordinário de continuações em inúmeras franquias. E de qualquer modo, não pode-se negar o fascínio do público por ambos, os remakes e super-heróis, o que tornou previsível o surgimento de um produto que fosse resultante da união destes dois trunfos do cinema. Assim, nas mãos do espectador, foi entregue BESOURO VERDE, detentor de uma narrativa de heróis e anti-heróis, e adaptação de uma série televisiva de mesmo nome na década de 60.

Através de uma narrativa falha e sem sustentações, o ritmo do longa mantém-se o mesmo do início ao fim, desapontando desde a apresentação do pessimamente desenvolvido protagonista até o final da reprodução, que remete ao espectador a sensação de que o visto foi um serviço inacabado. A falta de ideais aquém a autossatisfação e diversão da personagem interpretada por Rogen para tornar-se um herói, assim como a constante exploração à qual o mesmo submete seu ajudante e seu imbatível orgulho, não permitem ao espectador um identificação ou sequer apreciação do observado, sendo incômodo lidar com as infantilidades e abuso de piadas batidas do mesmo durante todo o longa.

Outro artifício de ridicularização do filme são as armas e modificações utilizadas pelos ‘heróis’ como o carro intitulado Beleza Negra que conta com inúmeras incrementações clichès (como um assento ejetável e inclusões de armas em todos os cantos) e a arma de gás letal modificada por Kato após a acidental indução à um coma de 11 dias pelo desastrado Reid. As cenas nas quais todos esses utensílios nos são apresentados tendem a buscar algum sentimento, gerar uma tensão entre as personagens e momentos eficientes no envolvimento do espectador com a narrativa, mas, como todo o resto, falham.

A direção de Michel Gondry, responsável por maravilhosos e não-convencionais dramas como ‘Sonhando Acordado’, com Gael Garcia Bernal, e ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’, com Jim Carrey e Kate Winslet, prova ser falha quando o assunto é comédia. Já era apontada sua ‘incapacidade’ em obter um bom produto do gênero no insosso ‘Rebobine, Por Favor’, com Jack Black, mas o resultado deste era ao menos interessante. Aqui, uma adaptação que deveria render como forma de homenagem e inovação ao sucesso passado acaba soando como uma fraca sátira aos filmes de super-heróis – e se esse fosse o objetivo, seria um filme facilmente derrotado pelo recente KICK-ASS.

No quesito elenco, o que poderia ter sido uma ressalva à desastrosa produção acaba resultando em um demonstrativo de que inclusive grandes atores têm seus momentos de recaída, com exceção à divertida participação especial de James Franco, concorrente à um dos prêmios principais da academia neste ano. Christoph Waltz, reconhecido mundialmente após ganhar o Oscar como ator coadjuvante pelo excelente desempenho no papel de Coronel Landa em BASTARDOS INGLÓRIOS, decepciona não somente por sua catastrófica interpretação, mas pelo visível esforço em interpretar um vilão em crise. O conhecido ator de comédias Seth Rogen, que também foi roteirista e produtor do longa, enerva com os péssimos diálogos e falta de carisma de sua personagem; assim como Cameron Diaz, que no papel de secretária com extremo conhecimento em criminalidade, não gera expectativa alguma ao espectador, chegando à ser constrangedora não somente sua atuação, mas a falta de química entre ela e as demais personagens. Jay Chou, conhecido cantor e mestre marcial em Taiwan, é apresentado como Kato, o mecânico e ajudante de Besouro Verde, de uma forma caricata – sobretudo na utilização da “Kato Vision”, e não convence em sua atuação, o que causa algum impacto, devido o histórico do personagem que na série de TV lançou Bruce Lee ao sucesso.

Pela falta de dinâmica e divertimento empregados na produção, receio ser completamente indiferente a utilização das sessões 3D para a apreciação deste filme, pois nenhuma de suas cenas gera qualquer emoção ou contém algum diferencial que tonaria mutável uma opinião devido a tecnologia tridimensional. Não há oque contestar; o francês Lavoisier já dizia que ‘na natureza nada se cria, nada se destrói; tudo se transforma’, mas não imaginávamos que suas palavras acabariam tornando-se, praticamente, um novo lema de Hollywood, onde tudo é readaptado, e embora nada se destrua muito perde-se no caminho, sobretudo a qualidade das reproduções.

Pôster

Ficha técnica

   

  Título original:The Green Hornet
  Gênero:Aventura
  Duração:1 hr 59 min
  Ano de lançamento: 2011
  Estúdio: Sony Pictures Entertainment
  Distribuidora: Columbia Pictures (EUA)
  Direção: Michel Gondry
  Roteiro: Evan Goldberg e Seth Rogen
  Produção: Neal H. Moritz
  Música: James Newton Howard
  Fotografia: John Schwartzman
  Direção de arte: Chad S. Frey e Greg Papalia
  Figurino: Kym Barrett
  Edição: Sally Menke e Michael Tronick
  Efeitos especiais: CEG Media | CIS Hollywood

Avaliação

Elenco

Galeria de Fotos

Trailer

[/vc_column_text][/vc_column]

Comentários
Topo