Artigo

Filme baseado em fatos reais | Detroit Em Rebelião

Entra em cartaz amanhã em todo território nacional o filme “Detroit Em Rebelião“, novo trabalho da ganhadora do Oscar Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror). O longa estrelado por John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força) e Anthony Mackie (foto) é baseado em fatos reais e narra um dos maiores e mais intensos distúrbios na história dos Estados Unidos. Confira abaixo a comparação física entre os personagens e as pessoas reais retratadas no filme.

Atores

Personagens Reais

Melvin Dismukes
David Senak
Jack Reynor
Ronald August
Robert Paille
Larry Reed
Fred Temple
Carl Cooper
Aubrey Pollard
Norman Lippitt
Juli Hysell

A Historia

O filme concentra sua história num episódio dramático ocorrido na terceira noite dos distúrbios: a morte de três jovens negros e o espancamento de outros sete, além de duas mulheres brancas, por policiais da tropa de choque e da Guarda Nacional dentro do motel Algiers. Os policiais não comunicaram as mortes à central de homicídios. Quando reveladas, os oficiais alegaram que elas haviam ocorrido durante confronto armado, versão que foi propagada pela imprensa. Só depois que o jornal Detroit Free Press escutou testemunhas da operação, é que uma nova história emergiu.

De acordo com entrevista sua para a rádio NPR, Bigelow conheceu a história do motel Algiers na época dos protestos que estouraram em 2014 em Ferguson, cidade do estado de Missouri, depois do assassinato do garoto negro Michael Brown por um policial branco. Foi o momento em que o Black Lives Matter ganhou repercussão nacional e mundial. Para ela, o filme “foi uma oportunidade de focar neste evento criminoso particular dentro da enorme tela dos distúrbios. Senti que esta história era uma tragédia americana importante o bastante para ser contada”.

O contexto dos distúrbios

O contexto dos distúrbios Detroit já havia registrado outros tumultos do tipo. O mais grave até então havia acontecido em 1943, quando morreram 34 pessoas. Apesar de Detroit na época contar com uma grande classe média negra, e maior paridade salarial entre brancos e negros, graças à indústria automobilística, bairros eram segregados e a tensão inter-racial estava logo abaixo da superfície. Em 1967, o estopim foi uma batida policial em um bar ilegal na esquina das ruas 12 e Claremont. No local acontecia uma festa de boas-vindas a dois combatentes do Vietnã. Os frequentadores foram todos presos, incluindo 82 negros. Moradores da área iniciaram um protesto contra a ação, que rapidamente evoluiu para quebra-quebra, saques e incêndios. O problema escalou: a polícia reagiu com mais força, mas os moradores continuaram o enfrentamento. O tumulto se espalhou para outros bairros. Com o aumento da violência, o presidente Lyndon B. Johnson convocou 9 mil soldados da Guarda Nacional e, depois, tropas do Exército. Tanques circularam pelas ruas. Franco atiradores disparavam em direção às forças oficiais do topo de edifícios. “A maior vítima, porém, foi a cidade”, escreveu Coleman Young, primeiro prefeito negro da cidade, eleito em 1973. O colapso do frágil e tenso equilíbrio racial de Detroit mandou embora moradores brancos e investimentos (depois dos problemas, ocorridos em julho, 67 mil emigraram; em 1968, foram mais 80 mil). “O dinheiro foi embora nos bolsos dos negócios e das pessoas brancas que correram o mais rápido que podiam”. Na década de 70, a crise do petróleo e a concorrência de carros japoneses abalou a indústria automotiva, que demitiu em massa. Nos anos 1980, as montadoras iniciaram um processo de automação de linhas de produção que trouxe mais cortes. Os problemas sociais e econômicos se agravaram: na década de 80, a cidade ostentava o título de capital do homicídio dos Estados Unidos. Em 2013, a cidade declarou falência. Fonte texto: Nexo Jornal

Comentários
Topo