No começo dos anos 2000, o gerente geral Billy Beane (Brad Pitt) do time de beisebol americano Oakland Athletics, conhecido como A’s, estava diante de uma série de dificuldades. Apesar da rica história no esporte, os A’s contavam com um dos menores orçamentos da Major League Baseball (principal liga de beisebol do mundo) e não conseguiam competir com outros times por atletas de elite.

Após perder mais jogadores e perceber que nunca venceria da maneira tradicional, Beane está prestes a perder as esperanças quando conhece Peter Brand (Jonah Hill), um jovem consultor do Cleveland Indians que, apesar de aparentemente ser ignorado pelo resto da equipe do time, parece ter um método inovador para avaliar o desempenho de atletas.

Beane resolve dar uma chance para Brand e descobre que a solução dele consiste numa técnica inovadora conhecida como sabermetrics, que é baseada na ideia de que é possível observar determinados fatores e dados objetivos gerados pelos esportistas durante as partidas para avaliar seu desempenho de maneira objetiva.

Partindo desta premissa, a técnica consiste na ideia de que um time não é feito apenas por algumas estrelas, mas sim por um conjunto de esportistas com habilidades complementares que conseguem se unir para somar pontos durante uma partida para vencer o adversário.

Focando na hipótese de que o salário de um atleta na realidade apenas paga um certo número de pontos que ele vai conseguir para o time e deixando de perseguir atletas considerados estelares pelos meios convencionais, ficaria muito mais fácil para Beane utilizar o orçamento do A’s para manter o time competitivo.

A obra é uma ótima vitrine para entender melhor o uso da técnica sabermetrics e um dos melhores exemplos práticos e simples de como tomar decisões baseadas em análises está mudando os esportes.

Devido a eficácia muito maior que a dos métodos tradicionais, este tipo de decisão popularizada pelo gerente geral já chegou em diversas outras modalidades. Uma das maiores é o pôquer, já que fazer boas escolhas no esporte das cartas depende muito de análises matemáticas baseadas em probabilidades. O principal destaque para o uso da técnica ocorreu durante a mesa final da “November Nine” da World Series of Poker (WSOP). Como era permitido aos competidores montar uma equipe, estes utilizavam o espaço de tempo entre as mãos e o atraso na transmissão para fazer análises baseadas em dados sobre a melhor ação possível em determinada rodada.

Entretanto, isto só é de conhecimento comum hoje em dia e o processo de implementação da técnica nos A’s com certeza não foi nada simples. A dupla Beane/Brand precisa lidar com os antigos olheiros, que resistem à mudança e insistem em utilizar os métodos antigos, assim como convencer o técnico do time Art Howe (Philip Seymour Hoffman), responsável por escalar os jogadores escolhidos, que a técnica realmente funciona.

Devido à história, o longa poderia facilmente ter se tornado apenas mais um filme no qual o azarão vence o favorito ao usar uma tática nova. No entanto, o roteiro é bem escrito e o embate real entre tradição e inovação é tão bem delineado na figura dos personagens principais que é impossível não se envolver com o drama dos A’s na disputa pelo campeonato.

Todos os atores desempenham muito bem seus papéis mas o destaque definitivamente fica para os emocionantes debates antagônicos entre Pitt e Hoffman e as conversas camaradas e quase conspiratórias entre Pitt e Hill, que aqui teve seu primeiro grande papel de destaque em um filme mais sério e soube aproveitar bem a oportunidade para demonstrar seus talentos.

A dinâmica das relações entre estes personagens principais é incrível e é fácil perceber como eles também funcionam como alegorias para visões de mundo com um objetivo comum, que é o de vencer, mas ao mesmo tempo completamente diferentes em seus métodos. Tudo isto ajuda a elevar o filme de um drama esportivo para algo que definitivamente vai muito além e prende o espectador durante todo o longa.

Também vale a pena destacar a atuação de Chris Pratt e Stephen Bishop, respectivamente os atletas Scott Hatteberg e David Justice. Ambos fazem parte das novas contratações dos A’s após a introdução do novo sistema e no pouco tempo que dispõem na tela desempenham muito bem papéis relacionados a aproveitar novas chances e assumir uma posição de liderança.

O diretor Bennet Miller, que já havia trabalhado com Hoffman no excelente Capote, soube aproveitar muito bem o roteiro de Aaron Sorkin e Steven Zaillian para criar uma narrativa que aproveita cada um dos seus 133 minutos para contar uma história clara, concisa e cheia de nuances interessantes que certamente cativará espectadores com todos os tipos de interesses.

 Os arcos do filme são muito bem desenvolvidos e o maior sentimento por trás dele, incluindo o final agridoce na qual o time quase triunfa e Beane recusa uma oferta para dirigir outro time, lembra a principal lição de vida de Rocky Balboa sobre nunca desistir.

A fotografia clara e bem iluminada com as cores vibrantes dos uniformes e a trilha sonora ora melancólica e ora inspiradora, como era de se esperar de um drama esportivo, se complementam de maneira impecável com os diálogos inteligentes e os  personagens.

Não é preciso gostar de beisebol para apreciar esta obra cinematográfica e é possível adiantar que pouquíssimas cenas do filme se passam dentro do campo. A grande qualidade da película está centrada na interessante dinâmica das diversas relações que ela explora e no drama que inevitavelmente é gerado quando duas visões de mundo entram em conflito direto.

Sinopse

Baseado no livro Moneyball. O Homem que Mudou o Jogo do famoso autor Michael Lewis, a trama do filme conta a história do hoje lendário gerente geral de beisebol Billy Beane. Com um orçamento muito menor que o de seus concorrentes no resto da liga, Beane se junta com Peter Brand, um cientista de dados, para utilizar um método inovador para tomar decisões mais racionais na hora de contratar jogadores que viria a revolucionar o esporte.

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Trailer | O Homem Que Mudou o Jogo

Brad Pitt

Billy Beane

Jonah Hill

Peter Brand

Chris Pratt

Scott Hatteberg

Chris Pratt filmes
Stephen Bishop

David Justice

Brent Jennings

Ron Washington

Ken Medlock

Grady Fuson

Tammy Blanchard

Elizabeth Hatteberg

Jack McGee

John Poloni

Vyto Ruginis

Pittaro

Glenn Morshower

Ron Hopkins

Casey Bond

Chad Bradford

Nick Porrazzo

Jeremy Giambi

Kerris Dorsey

Casey Beane

Arliss Howard

John Henry

James Shanklin

Pai de Billy

Diane Behrens

Mãe de Billy

Gerardo Celasco

Carlos Peña

Curiosidades

  • O cineasta Steven Soderbergh foi a primeira opção para dirigir O Homem que Mudou o Jogo. Ele chegou a rodar algumas entrevistas para o filme com jogadores famosos de baseball, como Lenny Dykstra, Mookie Wilson e Darryl Strawberry, mas acabou saindo do projeto.
  • Em novembro de 2009, Bennett Miller (Capote) e Marc Webb (500 Dias com Ela) estavam entre os nomes cotados para dirigir o filme. Miller acabou sendo o escolhido em dezembro do mesmo ano.
  • Em março de 2010, Jonah Hill (Superbad – É Hoje) foi contratado para o papel de Peter Brand que tinha sido imaginado, inicialmente, para Demetri Martin (Aconteceu em Woodstock).
  • Dos mesmo produtores de Motoqueiro Fantasma (Michael De Luca), A Outra (Scott Rudin) e As Confissões de Schmidt (Rachael Horovitz).
  • Durante a fase de pré-produção, o diretor de fotografia Adam Kimmel (Não Me Abandone Jamais) foi preso em Connecticut, por agressão sexual e também acusado de posse de armas e explosivos.
  • O início de filmagens estava marcado para 22 de junho de 2009, mas executivos queriam que o roteiro fosse reescrito porque não concordavam com as mudanças realizadas por Steven Soderbergh.
  • Rodado nas cidades americanas de Los Angeles e Boston.

Bilheteria

  • Orçamento: $50 milhões
  • Abertura EUA: $19,501,302 milhões
  • Total EUA: $75,605,492 milhões
  • Total no mundo: $110,206,216 milhões

Ficha Técnica

  • Título original: Moneyball
  • Nacionalidade: EUA
  • Gêneros: Drama, Biografia
  • Ano de produção: 2011
  • Estréia: 17 de fevereiro de 2012 (Brasil)
  • Duração: 2h 13 minutos
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Bennett Miller
  • Roteiro: Steven Zaillian, Aaron Sorkin. Baseado no livro escrito por Michael Lewis
  • Produção: Brad Pitt, Mark Bakshi, Michael De Luca, Rachael Horovitz, Robin Jaffe, Andrew S. Karsch, Sidney Kimmel, Alissa Phillips, Scott Rudin, Elizabeth W. Scott, Nicholas Trotta
  • Trilha sonora: Mychael Danna
  • Direção de fotografia: Wally Pfister
  • Edição: Christopher Tellefsen
  • Design de produção: Jess Gonchor
  • Direção de arte: Brad Ricker, David Scott
  • Decoração de set: Nancy Haigh
  • Figurino: Kasia Walicka-Maimone
  • Estúdios: Columbia Pictures, Scott Rudin Productions, Michael De Luca Productions, Film Rites, Sidney Kimmel Entertainment, Specialty Films
  • Distribuição: Sony Pictures

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Nota do site
Crítica | O Homem Que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011)
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