Cinema

Crítica – Três Vidas e um Destino (Head in the Clouds)

Quando assisti a ‘Três Vidas e um Destino‘ pela primeira vez eu fiquei maravilhada com a fotografia e figurino do filme, embora decepcionada com seu enredo, coisa que não mudou nas vezes seguintes.

É uma história de amor entre Guy (um jovem idealista) e Gilda (uma sedutora, boêmia e ultraliberal incorrigível) que começa ao se conhecerem na universidade e caminha até o fim da Segunda Guerra Mundial (o filme inicia-se em 1933), sem necessariamente eles estarem juntos por todo este período. Ainda contamos com a personagem Mia (uma espanhola protegida por Gilda) entrando em jogo, formando assim um intenso triângulo amoroso.

As complicações acontecem quando Guy e Mia decidem participar da Guerra Civil Espanhola (mais tarde, Guy acaba combatendo também na Segunda Guerra), ele alistando-se como soldado e ela enfermeira, sem o consentimento da controladora e perturbada Gilda, que acha as guerras uma bobagem sem tamanho e se enfurece por ter de se separar de sua amiga e do amor de sua vida.

Com o passar dos anos e a lembrança da longa convivência dos três, cria-se a expectativa de se Gilda perceberá que lutar por um ideal pode ter seu valor, e achamos que obtemos uma resposta após termos seu reencontro com Guy (a esta altura infiltrado na França, lutando contra os alemães nazistas), quando esta encontra-se envolvida com um general alemão.

São formadas milhões de teorias sobre o caráter da personagem (que acaba tornando-se o foco) até o final do filme, que não nos aponta realmente qual foi sua colocação em meio à zona de Guerra, mas deixa subentendido um posicionamento aliado aos ideias de seus colegas.

Charlize Theron, Penélope Cruz e Stuart Townsend vivem os protagonistas, mas nossa atenção acaba centrada na atuação da atriz vencedora de um Oscar por Monster: no papel de Gilda Bessé, Charlize é tão mais interessante e envolvente que os outros ao ponto dificilmente acreditarmos que qualquer relacionamento pudesse nascer entre eles.

Enfim, um filme que aparentemente poderia ser uma obra de arte mas acabou tornando-se apenas algo belo sem muito conteúdo. Não chegando a ser péssimo, e muito menos aproximando-se de beirar o ótimo, é um filme que (com tantos ‘contras’ e poucos ‘prós’) inexplicavelmente me encantou, e acho que também poderá encantá-los se lhe derem uma chance.

 

Ficha Técnica:

Título original:Head in the Clouds
Duração:02 hs 12 min
Ano de lançamento:2004
Distribuidora:Sony Picture Classics
Direção: John Duigan
Roteiro:John Duigan
Elenco:Charlize Theron, Penélope Cruz, Stuart Townsend, Thomas Kretschmann, Karine Vanasse, Steven Berkoff, David La Haye, Karine Vanasse.
Produção:Michael Cowan, Bertil Ohlsson, Jonathan Olsberg, Jason Piette, André Rouleau e Maxime Rémillard
Música:Terry Frewer
Fotografia:Paul Sarossy
Direção de arte:Gilles Aird
Figurino:Mario Davignon
Edição:Dominique Fortin
Efeitos especiais:Big Bang F/Animation Inc. / Cine-Byte Imaging Inc. / Cineffects Productions Inc.

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