Sinopse

Ali (Christina Aguilera) deixou sua pequena cidade natal em busca do sucesso em Los Angeles. Logo ao chegar ela conhece a boate Burlesque, especializada em shows musicais de belas mulheres, que sempre se apresentam usando playback. O local é gerenciado por Tess (Cher), que nega uma chance a Ali. Ela insiste e consegue ser contratada como garçonete, graças à ajuda do balconista Jack (Cam Gigandet). Ali passa a acompanhar todos os shows, decorando as canções e coreografias. Quando Tess e seu braço-direito Sean (Stanley Tucci) realizam uma audição em busca de novas bailarinas, Ali aproveita a chance para mostrar do que é capaz.

Crítica

Estrelada por Christina Aguilera e Cher, a produção conta a história de Ali, uma garota de Iowa que resolve seguir rumo à Los Angeles em busca da realização de seus sonhos. Após pouco tempo na cidade, a mesma acaba indo ao encontro de uma casa de shows a beira da falência. Encantada pelos números apresentados, mas renegada pela dona do local Tess, Ali busca oportunidades de integrar o elenco dos shows noturnos do local, e após presenciar, decorar coreografias e esforçar-se muito por um teste, conquista uma vaga de corista. É então, que em uma noite recheada de intrigas, a insossa garota demonstra o poder de sua voz, e conquista não somente a confiança de Tess mas o lugar de estrela das atrações, contando inclusive com números remodelados de acordo com suas possibilidades e preferências vocais, que elevam o local novamente ao patamar de sucesso entre o público.

Com uma equipe excepcional de profissionais, a forma como o filme imerge em clichês desaponta. A habitual e confortável trama da inocente interiorana em busca da realização artística e superação de seus dramas pessoais está presente em tantos longas no mercado que chega a surpreender negativamente o espectador o fato de os roteiristas de Hollywood ainda utilizarem-na em tantas produções. E bastaria esse motivo para o filme tornar-se cansativo, mas a trama esbarra ainda em crises passionais, monetárias e conflitos internos entre as participantes dos shows realizados na casa noturna, ou seja, a inovação esperada pelos fãs do gênero não foi ‘escalada’, encontrando-se justamente aqui, uma das maiores decepções acerca de BURLESQUE.
Por contra com um enredo maçante e conhecido, é extremamente compreensível o fato de Steven Antin, diretor da produção, esforçar-se para concentrar não só o longa mas a atenção do espectador aos números musicais que, inclusive, pecam pelas exageradas similaridades com takes realizados anteriormente no cinema, sendo possível observar referências à CHICAGO através do cabelo curto e número final de Ali, assim como os números focados no hostess fazendo apologia à cenas de CABARET – isso sem citarmos a cena em que o ambiente é “salvo” pelo surpreendente talento musical da protagonista, também apreciada em SHOW BAR.
Quanto às atuações, nos deparamos com o esforço constrangedor de Christina Aguilera ao tentar demonstrar alguma emoção e naturalidade na interpretação de sua personagem, sendo as únicas aparições realmente ‘espetaculares’ da mesma aquelas em cenas nas quais esta canta e dança, ponto que é gravíssimo visto que ela é a atriz principal e deveria assim, ser não somente o destaque maior, mas aquela que cede o ritmo à narrativa. Por sorte, a eficiência nos momentos em que Aguilera canta nos faz momentaneamente ignorar sua insegurança e má atuação, comprovando que seu talento é definitivamente na àrea musical e não nas telas de cinema; e se nos primeiros números musicais também nos passa pela mente estar diante de uma catástrofe, temos este jogo invertido quando a cantora/atriz demonstra enorme presença e sensualidade nas danças seguintes, cedendo ao espectador momentos saudosistas à sua época “à la stripped”.

Cher demonstra-nos apenas um pouco do motivo de ser conhecida por qualquer amante ou mínimo explorador do universo pop. Dona de um Oscar, suas aparições inundam a tela e cabem a ela os raros momentos de emoção no filme, mas é necessário ressaltar que seu desempenho não é exatamente glorioso. Eric Dane, mesmo com a capacidade necessária para explorar novos papéis devido à competência de belas atuações, têm praticamente repetido uma personagem em toda produção na qual atua ultimamente, sendo sempre o galã aproveitador: seja através de um cachorro ‘emprestado’ (Marley & Eu) ou de sua competência (Grey’s Anatomy), o mesmo está interessado somente em conquistar seu sucesso profissional e o coração das mulheres ao seu alcance.

Outro que remete-nos a lembrança de personagens passadas é Stanley Tucci, que como um homem amoroso (Julie & Julia) e assistente prestativo (O Diabo Veste Prada) é o responsável, na companhia de Cher, pelos momentos divertidos não embalados em dança ou música na produção. Dessa forma, ator e deusa pop conquistam facilmente o posto de melhores atuações do longa, não sendo possível definir se isso deve-se à má direção, roteiro, ou um péssimo desempenho generalizado.
Podemos então considerar BURLESQUE um fraco show de luzes e coreografias falhas (embora muitas vezes hipnotizantes) embaladas na voz de Christina Aguilera? Sim.
Tendo por proposta inicial fazer jus ao gênero dramático musical, prometendo levar novamente à tona a qualidade das antigas produções burlescas e musicais, o filme acaba contando com números musicais extremamente fracos, um visual relativamente pedante e diálogos cansativos. Comparando-o à outros longas produzidos sob mesma perspectiva, é claramente perceptível a ineficácia em captar ou manter o nível definido pelos anteriores à esta ‘quase trágica’ produção, sendo objetivo o motivo de sua falência. Mas fica uma lição àqueles que desejam aventurar-se no gênero: uma musicalidade contagiante, figurinos fabulosos e cenários encantadores não fazem de uma produção um sucesso.

E é simplesmente assim, com a concentração de ótimos artistas, belas músicas e números musicais – em sua maioria decepcionantes, que BURLESQUE não conseguiu ultrapassar o nível entre ‘show noturno’ e produção de Hollywood, estagnando na posição de um decadente cabaré contemporâneo no qual não pretendemos nos aventurar nunca mais. And the show must go on!

Pôster

Ficha técnica

  • Titulo original: Burlesque
  • Gênero: Musical
  • Direção: Dominic Deacon, Steve Antin
  • Roteiro: Dominic Deacon, Keith Merryman, Steve Antin, Susannah Grant
  • Produção: Anna Young, Donald De Line
  • Fotografia: Bojan Bazelli, Tim Metherall
  • Trilha Sonora: Christophe Beck
  • Duração: 119 min.
  • Ano: 2010
  • País: Austrália
  • Cor: Colorido
  • Estreia: 11/02/2011 (Brasil)
  • Distribuidora: Sony Pictures
  • Estúdio: De Line Pictures
  • Classificação: 12 anos

Avaliação

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Crítica | Burlesque
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