Cinema

Crítica | Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Crítica | Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Crítica

Após 10 anos acompanhando, através de 7 produções cinematográficas anteriores, um jovem que descobriu ser bruxo no dia de seu aniversário, este ano, com a segunda parte do último capítulo dessa história, chegamos ao final não de uma saga, mas de um fenômeno mundial. Conquistando pessoas de todas as idades através das obras literárias posteriormente transformadas em filmes, HARRY POTTERlevou milhões de espectadores aos cinemas durante todos esses anos, provando que um mundo fantasioso e inundado de seres mágicos pode ser um sucesso quando bem construído e constituído com um fundo ético crível.

Assim, é praticamente impossível escrever e analisar seu último filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, sem levar em consideração a sensação de perda que paira sobre os leitores e espectadores do mundo todo.

Na última parte da obra, Hogwarts está sob o comando de Severo Snape, agora que Dumbledore está morto; Você-sabe-Quem encontra-se em um momento de extremo poder, contrastante à sua fragilidade física oriunda da destruição de parte das Horcruxes, objetos nos quais pedaços de sua alma foram depositados; a Ordem da Fênix foi praticamente dizimada com a perda de inúmeros integrantes; e Harry, Rony e Hermione estão em busca das Horcruxes faltantes sem orientação alguma sobre qual o próximo passo a seguir, sendo que Potter é procurado em todo o mundo mágico pelos seguidores de Voldemort.

Assim, o capítulo que encerra a série começa imediatamente após o final da produção anterior – por isso se tiver oportunidade de rever Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 faça-o: é extremamente aconselhável.

Na nova produção, David Yates mostra ter evoluído seus métodos e utiliza constantemente as emoções dos protagonistas como gancho para momentos cruciais da história – acompanhados de uma melancólica e comovente trilha sonora composta por Alexandre Desplat que, com extremo perfeccionismo, intensifica as reações e sensações do filme. Essa atenção adicional focalizada nas atuações (especialmente de Daniel Radcliffe – continuamente cansativo, como de costume, Emma Watson e Rupert Grint – um grande ator, bônus do trio) promove ao espectador mais emoção devido a proximidade que força a consciência, percepção de que aquela será a última vez a encontrar tais atores, que cresceram à nossa frente e conosco, relacionados aquelas personagens. Outra evolução notável fica a cargo da sempre eficaz direção de fotografia e arte que, com um visual sensível, fotografia dominada por tons frios, caracterização e construção do cenário de maneira impecável, faz menção o tempo todo a dominante tensão e, mantendo semelhanças com seu antecedente, apresenta pequenos detalhes que auxiliam, modificam ou intensificam as reações e concepções do espectador.

Uma surpresa maravilhosa e diferencial encontra-se, porém, antes mesmo de o logo da Warner Bros. aparecer na tela: o grande vilão da saga é apresentado de forma ameaçadora e poderosa antes do início consciente da película. Isso promove uma sensação de insegurança que soa diferente a todos os outros filmes e, essa utilização de Lord Voldemort nos primeiros segundos de projeção, age como a chave do suspense, o que torna desnecessária qualquer palavra da personagem para que recordemos do perigo que sua presença representará até o fim. É um artifício genial para voltar nossa atenção a todas as cenas seguintes, intensificado devido a presença de uma outra realidade ser ignorada na produção, com exceção dos momentos em que são retratadas memórias ou partes futuras da história, justamente para manter o foco na importância do momento vivido pelas personagens: uma guerra pela pacificação no mundo mágico perante à força dos Comensais da Morte. Essa ausência do “mundo real” (dos ‘trouxas’) em praticamente todo filme é um modo de evitar o comum choque entre as duas vertentes da rotina de Harry, o que nos mantém imersos na trama o tempo todo tornando a distração do espectador para qualquer movimentação avulsa ao filme praticamente impossível.

Embora imensamente fiel à obra literária, o filme perde muito ao pecar com a inclusão de piadas forçadas e extensão dos momentos dramáticos/românticos que ‘quebram o clima’ e a continuidade rítmica da obra. Há também o fato de que, enquanto nos livros essa última batalha conta com momentos de extrema aflição provocados pelo excesso de sangue e violência resultantes em um grande número de mortes; embora a ação permaneça retratada na adaptação, seu impacto é muito menor devido ao corte e alteração de parte do enredo para que seja possível retratar em tempo hábil os momentos de maior importância comercial. Por conta disso, em algumas sequências nós nos deparamos com a perda de conteúdo necessário para melhor assimilação e trasmissão de emoção da história – como a falta de consideração com as detalhadas batalhas que resultam na morte de importantes personagens – simplesmente para que haja maior duração dos conflitos (extremamente alterados) entre Harry e Voldemort – e, claro, a faixa etária recomendada do filme permaneça acessível às crianças de 12 anos.

Porém, se durante inúmeras passagens nós nos decepcionamos com a qualidade de reprodução das páginas às telas, em algumas outras ficamos simplesmente encantados com a clareza e fidelidade com que foram adaptados alguns importantes trechos do livro – como o momento em que Harry encontra Dumbledore e as memórias de Snape na Penseira, onde a coragem necessária para voltar a enfrentar seus inimigos e a devoção provida por um grande amor, respectivamente, são iguais aos livros e extremamente emocionantes.

Em resumo, HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE II encontra durante sua execução diversos empecilhos e escorregões – como o 3D pessimamente utilizado e perceptivelmente convertido de uma maneira desatenciosa que oculta 70% da beleza do filme nas sombras – mas também permite que nos deparemos com a conquista daquilo que ambicionamos durante tanto tempo: a realização ‘respeitosa’ da adaptação da série de livros e a emoção inquestionável acerca do final de um relacionamento que durou longos anos.

Dessa forma, após 10 anos4100 páginas e 17 horas e 32 minutos de filme, todos podem entrar nas salas escuras de cinema e passar 2 horas e meia desfrutando daquilo que os inspirou, acompanhou e entreteve durante a última década, preparados para o momento da inevitável despedida onde encontrarão pela última vez a companhia, literalmente mágica, do mundo criado por J.K.Rowling.

Pôster

Sinopse

Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) seguem à procura das horcruxes. O objetivo do trio é encontrá-las e, em seguida, destruí-las, de forma a eliminar lorde Voldemort (Ralph Fiennes) de uma vez por todas. Com a ajuda do duende Grampo (Warwick Davis), eles entram no banco Gringotes de forma a invadir o cofre de Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter). De lá retornam ao castelo de Hogwarts, onde precisam encontrar mais uma horcrux. Paralelamente, Voldemort prepara o ataque definitivo ao castelo.

Ficha técnica

     Gênero: Faroeste
     Direção: Quentin Tarantino
     Roteiro: Quentin Tarantino
     Produção: Harvey Weinstein, Pilar Savone
     Fotografia: Robert Richardson
     Trilha Sonora: Mary Ramos
     Duração: 165 min.
     Ano: 2012
     País: Estados Unidos
     Cor: Colorido
     Estreia: 18/01/2013 (Brasil)
     Distribuidora: Sony Pictures
     Estúdio: Columbia Pictures, The Weinstein       Company

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