O nome Quentin Tarantino já nos remete a pensar em muita ironia e sangue, mas também em diálogos desenvolvidos e roteiros de primeira. Não é surpresa então, termos da obra desse gênio, um sucesso; e com ‘Bastardos Inglórios’ não foi diferente.

No filme, que tem narração de Samuel L. Jackson e se aventura a mudar a história do holocausto com a inversão de alguns fatos e papéis, temos contado, em sua maioria na França, a história de Shoshana, uma judia que presencia a execução fria de sua família pelo “Caçador de Judeus”, Hans Landa, a quem jura vingança. Lutando contra as várias faces nazistas, encontramos também o Tenente Aldo Rayne e seus ‘Bastardos’, que se aliam a atriz Bridget Von Hammersmark, uma dupla agente, no plano de execução dos altos comandos da SS. Ambas as histórias acabam cruzando-se, quando o plano de execução dos ‘Bastardos’ coincide em ser em um pequeno cinema, pertencente à judia, que agora, anos após o encontro com Landa, conta com nova identidade.

Quentin aqui demonstra seu amadurecimento no roteiro e direção, mas não perde seu estilo e a chance de fazer referências aos seus filmes preferidos e à cultura ‘pop’: continua estereotipando inconseqüentemente seus personagens, e abusando, conscientemente, de uma construção dividida em uma obra sem protagonistas, mas que acaba por ser protagonizada por todos em uma história única.

É esse talento, em compor cenas e transformar o possível em impossível, que torna a apresentação criativa do filme em uma experiência fora do comum, definitiva, pois a obra, dividida em 5 capítulos, acaba por nos envolver como um todo, no ponto em que essa divisão acaba por tornar-se um detalhe facilmente ignorado, tendo em vista que acabamos imersos nas atuações e cenas. Exemplo claro disso, é a primeira cena, na qual somos apresentados – da maneira ‘Tarantiniana’ usual – ao “Caçador de Judeus”, chegando a nos arrepiar a comparação do ódio que humanos sentem por ratos, e que não sentem por esquilos, na tentativa de esclarecer o ponto de vista nazista sobre desprezo pelos judeus e não por povos de outras raças. Afinal, em ‘Cães de Aluguel’ contávamos com a discussão sobre gorjetas e em ‘Pulp Fiction’ sobre como “quarteirão com queijo” é chamado pelos franceses, mas conforme Landa expõe seu ponto de vista, a tensão cresce e continua apenas no diálogo, de maneira natural e com exemplar condução dos personagens, transformando a cena em uma das melhores não só do filme, mas da carreira do diretor.

No campo da atuação, contamos com Brad Pitt, que nos leva ao extremo com a interpretação do caricato Tenente; Mélanie Laurent, como a vingativa judia; e Daniel Brühl, como um arrogante atirador; todos fantásticos em suas caracterizações, mas o destaque do filme é certamente, a presença de Christoph Waltz que, no papel do já citado Coronel Hans Landa, brilha e ofusca quaisquer outros personagens em suas cenas. A facilidade com que consegue envolver-se em seu personagem, desenvolvendo-o sem afetá-lo, nos faz acreditar no que realmente poderia ser um desumano “Caçador de Judeus”, e assim, emitindo muito sarcasmo, e até simpatia, acaba nos condenando à velha contradição de odiar, e ao mesmo tempo amar sua personagem; transformando o fato de acabarmos por adorar o frio detetive nazista, em um dos inúmeros motivos para encararmos o filme com outros olhos.

Dessa forma, na mistura de cenas de violência extrema e humor, com maestria e excelente construção de personagens, Tarantino nos delicia com o que pode ser uma tentativa de provar que a história não pode ser mudada, mas pode ser recontada, e definitivamente melhorada, pelo cinema.

Sinopse

Durante a Segunda Guerra, na França ocupada pelo exército alemão, a jovem Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) testemunha a execução da família pelo coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Porém, ela consegue escapar e passa a viver sob a identidade de uma proprietária de cinema em Paris, enquanto aguarda o momento certo para se vingar. Ainda na Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza um grupo de soldados judeus para lutar contra os nazistas. Conhecido pelo inimigo como “Os Bastardos”, o grupo de Aldo recebe uma nova integrante, a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), que tem a perigosa missão de chegar até os líderes do Terceiro Reich.

Trailer | Bastardos Inglórios

Brad Pitt

Tenente Aldo Raine

Christoph Waltz

Coronel Hans Landa

Diane Kruger

Bridget von Hammersmark

Diane Kruger
Michael Fassbender

Tenente Archie Hicox

Eli Roth

Sargento Donny Donowitz

Daniel Brühl

Fredrick Zoller

Til Schweiger

Sargento Hugo Stiglitz

Gedeon Burkhard

Wilhelm Wicki

Jacky Ido

Marcel

B.J. Novak

Smithson Utivich

Omar Doom

Omar Ulmer

August Diehl

Major Hellstrom

Denis Ménochet

Perrier LaPadite

Sylvester Groth

Joseph Goebbels

Mike Myers

General Ed Fenech

Julie Dreyfus

Francesca Mondino

Richard Sammel

Sargento Rachtman

Rod Taylor

Winston Churchill

Sönke Möhring

Pvt. Butz / Walter Frazer

Samm Levine

Hirschberg

Paul Rust

Andy Kagan

Michael Bacall

Michael Zimmerman

Ken Duken

Mata Hari

Christian Berkel

Nome não revelado

Léa Seydoux

Charlotte LaPadite

Tina Rodriguez

Sargento Wilhelm

Curiosidades

  • Quentin Tarantino começou a escrever o roteiro de Bastardos Inglórios antes de Kill Bill – Volume 1 (2003), mas adiou o projeto por não encontrar, na época, um bom final para a história contada.
  • O diretor Tom Tykwer foi o responsável pela tradução dos diálogos do roteiro para alemão.
  • A personagem Francesca Mondino foi escrita especialmente para Julie Dreyfus.
  • Leonardo DiCaprio esteve cotado para interpretar o coronel Hans Landa, mas o diretor preferiu escalar um ator alemão para o personagem.
  • Quentin Tarantino sondou Adam Sandler para que interpretasse o sargento Donnie Dorowitz, mas o ator recusou o papel devido a conflito com as filmagens de Gente Engraçada (2009).
  • Nastassja Kinski esteve em negociações para interpretar Bridget von Hammersmark. Tarantino chegou a viajar para a Alemanha para conversar com a atriz, mas um acordo não foi fechado.
  • Tim Roth esteve em negociações para interpretar o tenente Archie Hicox.
  • Inicialmente seria Simon Pegg o intérprete do tenente Archie Hicox, mas teve que desistir do papel devido a conflitos de agenda.
  • Isabelle Huppert era a 1ª escolha de Tarantino para interpretar Madame Mimieux, mas conflitos de agenda a impediram de aceitar o papel.
  • David Krumholtz teve que desistir do filme devido a conflitos de agenda.
  • Michael Madsen chegou a ser anunciado como integrante do elenco, interpretando o personagem Babe Buchinsky. Nem o ator nem o personagem estão no filme.
  • O nome do personagem de Brad Pitt é uma homenagem ao ator e veterano da 2ª Guerra Mundial Aldo Ray.
  • O nome do personagem de Mike Myers é uma homenagem à atriz Edwige Fenech.
  • O nome do personagem de Til Schweiger é uma homenagem ao ator Hugo Stiglitz.
  • Eli Roth ganhou 15 kg de músculo para interpretar o sargento Donny Donowitz.
  • Este é o 2º filme em que Brad Pitt e Diane Heidkrueger atuam juntos. O anterior foi Tróia (2004).
  • Ennio Morricone chegou a ser contratado para compôr a trilha sonora, mas deixou o projeto para trabalhar em Baaria – A Porta do Vento (2009).
  • Em Portugal, o filme tem o curioso título de “Sacanas Sem Lei”.
  • No material de divulgação do filme na Alemanha a suástica foi retirada ou coberta, de forma a não violar a lei local que impede a divulgação de símbolos nazistas

Bilheteria

  • Orçamento: $75,000,000 (estimado)
  • Abertura nos EUA: $38,054,676, milhões
  • Total nos EUA: $120,540,719, milhões
  • Total no Mundo: $313,600,000 milhões

Prêmios

OSCAR – 2010

  • Ganhou
    Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz
  • Indicações
    Melhor Filme
    Melhor Diretor – Quentin Tarantino
    Melhor Roteiro Original
    Melhor Fotografia
    Melhor Edição
    Melhor Som
    Melhor Edição de Som

GLOBO DE OURO – 2010

  • Ganhou
    Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz
  • Indicado
    Melhor Filme – Drama
    Melhor Diretor – Quentin Tarantino
    Melhor Roteiro

BAFTA -2010

  • Ganhou
    Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz
  • Indicações
    Melhor Diretor – Quentin Tarantino
    Melhor Roteiro Original
    Melhor Fotografia
    Melhor Direção de Arte
    Melhor Edição

FESTIVAL DE CANNES – 2009

  • Ganhou
    Melhor Ator – Christoph Waltz

Ficha Técnica

  • Título original: Inglourious Basterds
  • Nacionalidades: EUA, Alemanha
  • Gêneros: Guerra, Ação
  • Ano de produção: 2009
  • Estréia: 9 de outubro de 2009 (Brasil)
  • Duração: 2h 33min
  • Classificação: 18 anos
  • Direção: Quentin Tarantino
  • Roteiro: Quentin Tarantino
  • Produção: Harvey Weinstein, Bob Weinstein, Lawrence Bender, William Paul Clark, Christoph Fisser, Henning Molfenter, Bruce Moriarty, Lloyd Phillips, Pilar Savone, Erica Steinberg, Charlie Woebcken
  • Direção de fotografia: Robert Richardson
  • Edição: Sally Menke
  • Design de produção: David Wasco
  • Direção de arte: Marco Bittner Rosser, Stephan O. Gessler, Sebastian T. Krawinkel, David Scheunemann, Steve Summersgill
  • Decoração de set: Sandy Reynolds-Wasco
    Figurino: Anna B. Sheppard
  • Estúdios: The Weinstein Company, Universal Pictures, A Band Apart, Studio Babelsberg
  • Distribuição: Universal Pictures
  • Nota do Público
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