Artigos

Evolução da briga DC vs. Marvel chega aos serviços de streaming

É justo assumir que boa parte do público que hoje se encanta e às vezes até se digladia em batalhas de fãs por meio dos filmes inspirados nas histórias de Marvel e DC, chegaram à tais peças por meio dos cinemas e das obras que foram ali reproduzidas a partir da década passada. Mas essa “briga” é claramente algo que antecede essa era de super-heróis dominando a sétima arte.

Para tanto, voltamos à década de 1930. Na antecipação da Segunda Guerra Mundial, a juventude estadunidense precisava de formas de entretenimento que se conectassem não só com os problemas da geração que mais tarde iria aos campos de batalha, mas também que comunicasse aos mesmos as questões sobre as quais o mundo ponderava naqueles tempos de tensão. Nesse âmbito, surgem a National Allied Publications em 1934, e a Timely Publications em 1939.

Ambas iriam disputar nos anos vindouros a preferência da massa em solo norte-americano. De um lado, a NAP contando histórias de heróis como Batman nas Detective Comics, e de Superman nas Action Comics. E do outro, a Timely lançaria tramas lideradas pelo Homem-Tocha e Capitão América.

Mais tarde, a NAP se tornaria a DC Comics, enquanto que a Timely assumiria o manto de Marvel Comics. Mas muito antes disso, a clivagem entre fãs de DC e de Marvel – assim como das peculiaridades dos personagens das editoras, e do formato das histórias que eram contadas – já se fazia presente.

Muitos anos se passaram desde então, e os super-heróis ficaram grandes demais para ficarem contidos em histórias em quadrinhos. O próprio Superman da DC virou um ícone pop, passando a ilustrar estampas de camisa em lojas de departamento, graffitis em cidades mundo afora, e jogos tanto de videogame – como a série Injustice e outros vários que levam o nome do herói – quanto de roleta na Betfair. Ao mesmo tempo, o Superman é visto como um cidadão-modelo ao passo de saber usar com moderação seus poderes, e (quase) nunca sobrepujar outrém com os mesmos quando não está de face com um vilão.

Enquanto isso, a Marvel viu seus heróis assumirem importância tão grande quanto. O supracitado Capitão América ainda é visto como um símbolo patriótico dos Estados Unidos, haja vista sua história como um super-soldado que se sacrifica em prol da nação. Ao mesmo tempo que o mesmo também é um dos “líderes” das reproduções da editora em formato cinematográfico desde o estabelecimento do universo Marvel em sua série de filmes.

Ao mesmo tempo, a briga continuou firme e também tomou novas formas. Onde antes existiam os fã-clubes oficiais de heróis de cada editora, trocando cartas entre si em discussões sobre as tramas reproduzidas nas revistas, foi dado espaço para o vasto espaço da internet. Nela, ainda existem alguns enclaves tão “exclusivos” quanto os clubes de outrora como os fóruns de discussão que discutem tão somente uma ou outra franquia, ou um super-herói em específico.

Mas no geral, as bases de fãs convergem umas com as outras – e as histórias seguem o mesmo caminho, com os já famigerados crossovers que até aqui se mantém nas histórias impressas. O que não é de todo mal para ambos os lados, mesmo que ambas ainda mantenham uma intensa disputa no mercado de mídia na busca pelo suado dinheiro dedicado ao lazer em lares de todo o planeta.

Essa briga que foi iniciada nos quadrinhos, passou pelas action figures e chegou às telas dos cinemas, agora se encontra nas plataformas de streaming. A dona da DC, Warner, saiu na frente com o seu DC Universe, preenchido por um grande número de seriados que expandem o universo já existente nas televisões com séries baseadas em The Flash, Arrow e muitas outras de grande sucesso principalmente entre as gerações mais jovens. E a Disney, que comanda a Marvel, respondeu na mesma moeda com sua Disney+ (lê-se Disney Plus) onde os carros chefes são obras inspiradas em seus super-heróis.

Com justiça, alguns podem ver esse novo “ringue” como algo negativo principalmente para fãs de ambas as companhias, que terão que incluir em seu orçamento mais dois serviços de streaming para garantir acesso contínuo a novo material desses universos. Mas os fãs em si, que em grande parte veem apenas mais maneiras de se conectar com os universos onde vivem alguns de seus personagens favoritos, não parecem estar muito tristes com isso…

Comentários
Topo